Da Revisão de Texto ao UX Writing: um caminho possível
Além da obviedade de que, nas duas funções, trabalhamos o/com texto, será que realmente há similaridades entre elas?
Minha jornada como revisora de textos teve início em 2013, quando ingressei no curso de Letras. Foi paixão à primeira vista (ou lida)! Desde o início, já era latente o meu desejo em trabalhar com livros, com textos, no sentido de aperfeiçoá-los para que os materiais chegassem às mãos dos leitores impecáveis, ou quase isso. Pensando nisso, na revisão, lançamos mão de diversos processos cognitivos, pois somos as responsáveis por conferir desde uma vírgula até um elemento de formatação, legendas, alinhamentos, paginação etc. Isso nos demanda um olhar mais aguçado e focado na experiência do leitor, no nosso público-alvo, e em como podemos trabalhar a adaptação de textos para que o entendimento seja mais efetivo. Em materiais didáticos, com os quais trabalhei durante muitos anos, esse é um dos principais focos do profissional.
Além de possuir um largo conhecimento gramatical e habilidades de escrita, a revisora precisa dispor de algumas soft skills. Uma delas é a atenção aos detalhes, importantíssima para evitar erros e garantir a precisão.
E no UX
Writing? Conforme o que venho estudando, essa é uma habilidade crucial para criar textos que não
distraiam ou confundam as pessoas usuárias e, claro, para que isso seja possível e a redatora de UX consiga realizar bem essa função, o conhecimento gramatical e textual também são imprescindíveis.
Logo, percebo a minha transição para a área de UX Writing como orgânica — embora desafiadora —, pois as habilidades e práticas que desenvolvi na revisão de textos estão se mostrando extremamente valiosas. É uma grata surpresa! Não imaginei que me sentiria tão à vontade. Estudar sempre será uma necessidade para alguém dessa área, portanto, os desafios são muitos, mas essas possibilidades infindas, algo que sentia falta na revisão, têm me feito imergir cada vez mais no UX.
A revisão e o UX Writing são um par que, a meu ver, se complementa. Perceber isso é entender também que, no caminho da transição profissional, tudo o que você aprendeu nas suas experiências pretéritas tem valor e pode, sim, ser muito bem utilizado no exercício da função de UX Writer. Essas habilidades são o que nos tornam únicas.
O que fazemos e como fazemos é singular e apenas nosso.